A história que você não conta (e que te impede de crescer).
Hoje quero começar esta conversa com um relato muito pessoal, porque, às vezes, é justamente nas nossas próprias histórias que encontramos o espelho das crenças que carregamos sem perceber.
Quando eu estava mais ou menos no terceiro período da graduação, tinha acabado de começar meu segundo estágio (sim, eu comecei a estagiar logo no primeiro período porque entendia a importância da experiência prática no mercado).
Um dia, depois de pouco mais de dois meses no escritório, meu chefe chegou animado para me mostrar o currículo de um rapaz que queria estagiar ali. Ele disse: “Ele é incrível.”
Na mesma hora, colocou na minha frente um currículo de duas páginas, totalmente preenchido. Era um jovem da minha idade, no mesmo período do curso, sem nenhuma experiência profissional, mas com cada linha tomada por conquistas da escola, olimpíadas, atividades paralelas e hobbies elaborados.
E eu me lembro muito bem do que pensei: “Mas gente… eu sou muito mais qualificada que ele. Tenho experiência, entrego resultado, faço tudo isso e mais um pouco. Como é que que meu chefe não enxerga?”
Anos depois, já formada e trabalhando na área, eu liderava o projeto de um dos maiores clientes da empresa, mesmo tendo pouco tempo de casa. Ainda assim, via constantemente colegas compartilhando no chat conquistas e projetos que, honestamente, não tinham nem um terço do impacto do que eu gerenciava.
E lá estava eu de novo: “Por que estão parabenizando eles… e não a mim?”
Demorei para entender. De verdade.
Mas quando entendi, foi transformador.
Eles não estavam errados em evidenciar suas entregas. Nem o candidato a estagiário que destacou no currículo a prática de xadrez nas horas vagas. Nem os colegas (ou o chefe) que reconhecem orgulhosos aqueles feitos.
Quem estava errada era eu, que não enxergava valor nas minhas próprias ações e conquistas e, mais grave ainda, não falava sobre elas.
As crenças limitantes que silenciam mulheres no mercado de trabalho
Histórias como essa não são raras. Muitas de nós fomos educadas para sermos discretas, perfeitas, silenciosas. A acreditar que ao falar sobre nossas conquistas podemos ser consideradas arrogantes ou soberbas. Que falta humildade. Que só podemos abrir a boca quando estivermos 120% prontas. Que “não é grande coisa”, “não fiz mais do que minha obrigação”, “qualquer um faria”.
Essas narrativas se tornam crenças limitantes, aquelas pequenas ideias internalizadas que moldam nossas escolhas, nossa comunicação e os caminhos que acreditamos merecer trilhar.
Elas se manifestam assim:
“Mas isso nem é tão relevante assim.”
“Eu não devo compartilhar isso, vão achar presunção.”
“Se não estiver perfeito, melhor eu não mostrar para ninguém”
“Outras pessoas merecem mais reconhecimento do que eu.”
E enquanto isso… Historicamente os homens são incentivados, desde cedo, a destacar cada pequena vitória, a acreditar que têm potencial, a se vender, e, principalmente, a ocupar espaços, mesmo quando ainda estão em processo de desenvolvimento.
E não é só impressão — tem dado concreto por trás desse comportamento.
• Mulheres se candidatam a vagas apenas quando atendem 100% dos requisitos, enquanto homens se aplicam com cerca de 60%. Esse dado ficou famoso após um insight publicado pela Harvard Business Review, mostrando como a autoconfiança e a autopercepção influenciam diretamente nossos passos de carreira.
• Outra pesquisa realizada pela KPMG que entrevistou 700 participantes do KPMG Women’s Leadership Summit, revelou que 75% das mulheres executivas sentem que não estão qualificadas o suficiente para oportunidades que desejam, mesmo quando são.
Esses números mostram uma coisa importante: não é falta de competência — é a presença de barreiras internas alimentadas por expectativas sociais externas.
E como romper com as crenças limitantes?
Romper essas crenças não é sobre “pensar positivo”, nem sobre forçar confiança onde ainda não existe. É sobre construir, aos poucos, novas evidências internas e mostrar para você mesma que a sua voz tem peso, que suas conquistas importam e que visibilidade também faz parte do trabalho.
Aqui vão algumas práticas simples que tenho incorporado no meu dia a dia:
Registre suas conquistas semanalmente
Crie um “diário de vitórias”. Pequenas, grandes, técnicas, pessoais.
Compartilhe, mesmo quando parecer pouco
Se foi um desafio para você, é uma conquista válida. Use seu LinkedIn, gata!
Observe quando você minimiza seu trabalho
Troque “Não foi nada” por: “Obrigada! Trabalhei bastante nisso.”
Permita-se ser vista
Visibilidade não é vaidade, é estratégia, é posicionamento, é carreira.
Busque inspiração em outras mulheres
A representatividade transforma crenças. Conecte-se com role models da nossa comunidade. A WoMakers é um ótimo lugar para isso, viu?
Para fechar… uma pergunta para você:
Qual foi a última conquista sua que você minimizou? E o que aconteceria se, hoje, você escolhesse compartilhá-la com orgulho?
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Não há força mais poderosa do que uma mulher determinada a crescer. Vamos juntas! 🦋
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