O equilíbrio entre produtividade e saúde mental
Por Mariana Mendes
Durante muito tempo eu acreditei que ser produtiva era simplesmente fazer mais. Mais tarefas concluídas, mais horas conectada, mais coisas riscadas da lista no fim do dia. Era uma conta de volume: quanto mais eu entregava, mais produtiva eu deveria ser. Levei alguns ciclos de exaustão para perceber que essa conta não fecha.
O problema da produtividade medida por volume é que ela ignora a variável mais importante: o tempo. Não o tempo de um dia, mas o tempo de meses e anos. É relativamente fácil entregar muito numa semana. O difícil é manter qualidade de entrega ao longo de meses sem se desgastar até o ponto em que o trabalho, e a saúde mental, começam a ceder.
É sobre essa diferença que quero falar aqui. Produtividade sustentável não é fazer mais em menos tempo. É manter consistência de entrega sem comprometer a saúde mental no longo prazo. E isso exige uma forma mais estratégica de pensar o trabalho, baseada em energia, ritmo e decisão, não em intensidade constante.
A ideia de que produtividade é volume não sobrevive aos dados. Num estudo clássico publicado em 2015, o economista John Pencavel, de Stanford [12], analisou a relação entre horas trabalhadas e produção e encontrou um efeito não linear: a produtividade por hora cai de forma acentuada depois de cerca de 50 horas semanais e despenca a partir de 55. Quem trabalhava 70 horas não produzia praticamente nada além de quem trabalhava 55. As horas extras existiam no relógio, mas não no resultado.
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